O carro já está estacionado há cinco minutos, e nenhum de vocês fez menção de abrir a porta.
— A gente pode só olhar — ela diz, mais para si do que para ele.
— A gente pode até ir embora — ele responde. E os dois riem, porque sabem que não vão.
Na entrada, a música chega abafada, como um coração do outro lado da parede. Quem recebe vocês é a Mel: vestido preto, prancheta na mão, o sorriso de quem já viu muita primeira vez.
— Primeira festa? — ela pergunta, e não espera resposta. — Então guardem três coisas. Olhar é livre. Tocar, só com convite. E “não” encerra qualquer conversa, sem precisar de explicação.
Ela entrega duas pulseiras e aponta para dentro. A luz é baixa e vermelha. Há um bar comprido à esquerda, uma pista cheia mais ao fundo e um corredor que some numa penumbra que vocês dois fingem não ter notado.
Ele sente a mão dela apertar a dele um pouco mais forte.
— E agora? — ela sussurra.