O nome que ela disse

Casal em cena intimista e sensual numa cama. O homem está com a mão estendida para o lado, pegando um grande dildo preto.

A noite tinha começado sem pressa.

Esse era o tipo de noite que Renata gostava — sem compromisso com o relógio, sem lugar para chegar. Só ela e Felipe no quarto, com a luz baixa e aquela canção tocando de fundo que nenhum dos dois teria sabido nomear, mas que combinava exatamente com o clima.

Eles tinham chegado em casa depois do jantar ligeiramente aquecidos pelo vinho — não bêbados, só soltos. O tipo de soltura que abria portas dentro das pessoas.

— Você está pensando em alguma coisa — disse Felipe, mais como constatação do que pergunta. Ele a conhecia bem demais para precisar formular como interrogação.

Renata sorriu de lado, os olhos ainda na janela.

— Talvez.

— Me conta.

Ela virou para ele devagar. Havia algo na forma como ela o olhava — uma mistura de desejo e avaliação — que sempre o desarmava completamente.

— Você se lembra do que a gente conversou semana passada?

Felipe esperou.

— Sobre… mais de um — ela disse, escolhendo as palavras com cuidado, como quem experimenta o peso de cada uma antes de soltá-la no ar.

Ele sentiu o calor subir antes de qualquer pensamento consciente.

— Me lembro — respondeu, a voz mais baixa do que pretendia.


Começou devagar — como eles gostavam que as coisas boas começassem.

Felipe a deitou na cama com uma atenção que tinha algo de ritual. As mãos percorreram o corpo dela com a familiaridade de quem conhece cada curva de cor, mas com a intenção de quem ainda quer descobrir. Renata fechou os olhos e deixou.

Quando ele foi buscar o dildo na gaveta — preto, denso, do tamanho certo — ela já estava esquentada o suficiente para que a antecipação doesse de um jeito bom.

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— Vamos fingir — ela disse, e não foi pergunta.

— Vamos fingir — ele concordou.

E aí o jogo começou.

Felipe trabalhou nela com as mãos primeiro, a língua depois, construindo com paciência o estado em que ela ficava quando queria demais e ainda assim não queria que acabasse. Ela se retorceu, segurou o lençol, soltou um som que não era bem palavra.

Quando ele introduziu o dildo, mantendo as próprias mãos e a boca em outros lugares, Renata sentiu o efeito imediato — não só físico. Era a sensação de estar cheia de mais de um modo. De ser querida por mais de uma direção ao mesmo tempo.

— Isso — ela respirou. — Exatamente isso.

Felipe observava o rosto dela com aquela atenção intensa que ela sempre achou ao mesmo tempo erótica e terna — como se ele estivesse guardando o que via para depois, para si. Havia prazer no olhar dele. Não o prazer de quem performa, mas o de quem genuinamente quer aquilo que está vendo.

A intensidade foi crescendo em ondas.

Renata deixou a imaginação ir junto — foi adicionando detalhes que o quarto real não tinha: um peso diferente, uma mão que não era de Felipe, uma presença que ela não conseguia visualizar completamente mas que sentia de forma nítida como pressão e calor e desejo.

Felipe aumentou o ritmo. Ela arquejou.

— Não para — ela pediu, e a voz tinha aquela qualidade quebrada que aparecia só quando ela estava de verdade, quando não havia mais filtro entre o que sentia e o que dizia.

A imaginação dela foi ficando mais específica sem que ela planejasse — como a fantasia às vezes faz, quando afrouxa o controle e escolhe seu próprio caminho.

Uma imagem. Uma presença. Um rosto.

E então, no pico, quando tudo estava junto e tenso e prestes a se soltar —

— Marcos — ela disse.

Baixo. Quase sem querer. Mas disse.

O orgasmo veio junto com a palavra, e durou o suficiente para que nenhum dos dois fingisse que não tinha ouvido.


O silêncio que se seguiu não era desconfortável.

Era o tipo de silêncio que os dois tinham aprendido a não preencher com pressa — o silêncio que vem depois de algo real e precisa de um momento antes de virar conversa.

Renata estava deitada de costas, ainda com os olhos fechados, a respiração voltando ao ritmo normal. Felipe estava ao lado dela, a mão espalmada no abdômen dela, quente e quieta.

Foi ele quem falou primeiro.

— Marcos — repetiu, e havia uma leveza na voz dele que não era ironia. Era curiosidade. Era, talvez, algo mais do que curiosidade.

Ela abriu os olhos e o olhou. Havia um rubor que não era só do orgasmo.

— Não foi intencional — ela disse.

— Eu sei — ele disse. — Mas foi.

Renata ficou olhando para o teto por um momento. Marcos morava no andar de baixo. Eles o cumprimentavam no elevador, às vezes tomavam uma cerveja com ele na área comum aos sábados. Era daquelas pessoas que existem na vida da gente numa frequência confortável — próximo o suficiente para ser real, distante o suficiente para ser seguro.

Até hoje à noite.

— É estranho? — ela perguntou.

— Não — ele disse, sem hesitar. — É honesto.

Ela virou a cabeça para ele. Os olhos de Felipe tinham aquela expressão que ela conhecia — não ciúme, não alarme. Algo mais parecido com atenção. Com interesse.

— Você conhece ele há quanto tempo? — Felipe perguntou, e a pergunta era simples mas carregava um subtexto que os dois reconheceram ao mesmo tempo.

— Dois anos, talvez. Desde que ele se mudou.

— E você nunca tinha pensado nele… assim?

Renata considerou a pergunta com honestidade.

— Talvez tenha. Sem perceber direito.

Felipe assentiu devagar. Ficou em silêncio por um momento — o tipo de silêncio em que uma pessoa está organizando algo interno, não evitando a conversa.

Depois virou para ela, um meio sorriso no canto da boca.

— Marcos, não é? — disse ele. — Precisamos falar mais sobre isso.

E havia no tom dele — naquela mistura exata de leveza e intenção — a promessa de que a noite tinha sido boa, mas que o que vinha a seguir podia ser melhor.


Gostou do conto? A série continua. Acompanhe o blog do Casal Libido toda semana — e se a fantasia de vocês também está pedindo para virar realidade, talvez seja hora de uma conversa. O Código Liberal foi feito para exatamente esse momento.

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