Seis semanas

Foi esse o tempo que levou para “sexta com o Marcos” deixar de soar como um acontecimento e começar a soar como uma possibilidade entre outras — não uma rotina, não uma regra, só uma porta que ficava, de vez em quando, aberta.

Não tinha sido todo fim de semana. Tinha sido três vezes, em seis semanas, sempre por decisão dos três, nunca por expectativa automática. Depois da primeira sexta, tinha vindo uma conversa longa — Renata e Felipe sozinhos, na cozinha de novo, o mesmo lugar onde tudo tinha sido negociado da primeira vez. Depois, outra conversa, dessa vez com Marcos junto, sobre o que cada um esperava e o que definitivamente ninguém queria que aquilo virasse.

Marcos tinha sido claro desde o início: não queria namorar Renata. Não queria competir com Felipe por lugar nenhum na vida dela. O que ele queria — e disse isso olhando para os dois, não só para ela — era exatamente o que existia: um espaço combinado, recorrente quando fizesse sentido para os três, sem promessa de mais do que aquilo era.

Isso, de um jeito que nenhum dos três tinha previsto, foi o que fez funcionar.

Era uma quinta-feira à noite, não uma sexta, quando Felipe puxou o assunto de novo. Estavam na varanda, o prédio quieto lá embaixo, uma taça de vinho cada um.

— Posso te perguntar uma coisa sem que você ache que é reclamação? — ele disse.

Renata olhou para ele, atenta.  
— Pode.

— Você sente mais por ele do que sentia no começo?

A pergunta não veio com medo. Vinha com a mesma curiosidade genuína que tinha aberto a conversa inteira, seis semanas atrás.

Renata pensou antes de responder — porque a pergunta merecia isso.

— Sinto carinho — ela disse, devagar, escolhendo cada palavra. — Gosto dele, de verdade, não só do que a gente faz. Mas não é o que sinto por você. É diferente. Não é menor nem maior. É de outra natureza.

Felipe assentiu, e havia nele algo que Renata reconheceu com um alívio quieto: não estava procurando motivo para desconfiar. Estava só confirmando o mapa.

— Isso faz sentido pra mim — ele disse. — E, já que estamos sendo honestos… — ele sorriu, um sorriso torto — queria te contar uma coisa. Semana passada, quando vocês dois estavam juntos e eu estava só olhando, senti uma coisa que eu não esperava.

— O quê?

— Orgulho. Tipo… orgulho de verdade. De ver você daquele jeito. De ver que ele te fazia sentir aquilo. Não tinha nada de ruim ali. Só… prazer de ver.

Renata sentiu o peito apertar de um jeito bom.  
— Isso tem nome, sabia? Vi outro dia. Chama compersão.

— Então é isso que eu tava sentindo — ele riu. — Bom saber que não sou anormal.

O silêncio que veio depois não pedia mais palavras. Felipe pousou a taça na mesinha, se aproximou dela devagar e a beijou. Não era um beijo apressado. Era aquele beijo que ela conhecia de cor: a língua dele explorando a dela com calma, a mão subindo pela cintura até encontrar a curva da bunda, apertando com intenção.

Eles entraram.

Na sala, Felipe a empurrou de leve contra a parede e continuou beijando, agora mais fundo. A mão dele deslizou por baixo da blusa, subiu até o sutiã e abriu o fecho com um movimento praticado. Os seios de Renata pesaram livres; ele abaixou a cabeça e chupou um mamilo, depois o outro, enrolando a língua devagar enquanto ela soltava um gemido baixo contra o cabelo dele.

— Tira tudo — murmurou Felipe, a voz rouca.

Renata obedeceu. A blusa, a calça, a calcinha. Ficou nua na luz baixa da sala. Felipe tirou a própria camisa e ajoelhou-se na frente dela. Abriu as pernas dela com as mãos e enterrou o rosto entre elas.

A língua dele encontrou o clitóris já úmido e inchado. Lambeu em círculos lentos, depois chupou com força medida, dois dedos entrando nela ao mesmo tempo. Renata segurou a cabeça dele, os dedos enfiados no cabelo, os quadris rebolando contra a boca. O gemido saiu mais alto quando ele encontrou aquele ponto dentro dela e começou a massagear enquanto chupava.

— Assim… não para — ela pediu, a voz quebrada.

Felipe não parou. Continuou até ela tremer, até as coxas fecharem ao redor do rosto dele, até o primeiro orgasmo atravessar o corpo dela em ondas curtas e intensas. Ele se levantou, limpou a boca no ombro dela e a beijou de novo, deixando que ela sentisse o próprio gosto.

Depois a levou para o sofá. Deitou Renata de costas, abriu as pernas dela e se posicionou entre elas. O pau duro escorregou na entrada molhada e entrou devagar, centímetro por centímetro, até o fundo. Os dois soltaram o ar ao mesmo tempo.

Felipe começou a meter com o ritmo que ela conhecia de cor — firme, profundo, sem pressa. Cada estocada fazia os seios dela balançarem. Ele se inclinava e chupava um mamilo enquanto fodia, a outra mão apertando a coxa dela, abrindo mais.

— Olha pra mim — pediu.

Renata abriu os olhos. Viu o rosto dele suado, a expressão concentrada, o prazer sem sombra de dúvida. E, por trás disso, a certeza tranquila de um homem que tinha visto a mulher dele ser fodida por outro e escolhido sentir orgulho em vez de medo.

Ela envolveu as pernas na cintura dele e puxou mais fundo.

— Mais forte.

Felipe obedeceu. As estocadas ficaram mais rápidas, o som de pele batendo em pele enchendo a sala. Renata sentia cada centímetro, cada veia, o peso familiar que ainda conseguia surpreendê-la. Quando o segundo orgasmo veio, foi mais longo, mais fundo; ela apertou o pau dele por dentro e gemeu o nome dele contra o ombro.

Felipe não parou. Continuou até sentir o próprio limite se aproximar. Tirou o pau, se ajoelhou sobre o peito dela e a alimentou com a própria boca. Renata engoliu a cabeça, chupou fundo, usou a mão para masturbar a base enquanto a língua trabalhava. Ele gozou na boca dela com um gemido rouco, o corpo todo tenso. Ela engoliu tudo, limpou o que escapou com a língua e o puxou de volta para o sofá.

Ficaram ali, ofegantes, suados, a respiração ainda descompassada. Felipe passou a mão pelo cabelo dela, afastando o fio grudado na testa.

— Sexta que vem? — perguntou, e não estava claro se falava dos dois ou dos três.

Renata sorriu no escuro, onde ele não podia ver, mas de algum jeito soube que ela tinha sorrido.

— A gente vê — ela disse. — Não precisa decidir agora.

E não decidiram. Ficaram ali, os dois, o prédio quieto, o 302 quieto lá embaixo com sua própria vida seguindo em paralelo à deles — nem mais nem menos importante por causa do que compartilhavam às vezes. Só uma porta que continuava aberta, no ritmo que fizesse sentido, sem pressa de virar outra coisa além do que já era: bom, honesto, e deles para decidir, sempre de novo, cada vez.

Jana e Alex
Escrito por

Casal Libido — Jana & Alex

Jana & Alex vivem o meio liberal desde 2018, organizam as festas Libi em Petrolina-PE e criaram o curso O Código e o Mô App. Escrevem sobre o que vivem — sem tabu e sem romantizar o que é complexo.

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